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Banana do Equador coloca em risco 100 mil empregos no Norte de Minas

O Norte de Minas poderá ser afetado cruelmente pela chegada da banana vinda do Equador, comprometendo 100 mil empregos diretos e outros 200 mil indiretos, conforme alerta realizado ontem à tarde em Montes Claros pela Associação dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), através dos seus diretores Vicente de Paula, Ivanete Pereira e Rodolfo Rebello. Eles explicaram que além do risco de trazer novas pragas, que comprometem a atividade, ainda trarão o produto com preço mais baixo, praticando o “dumping”, para inviabilizar a produção de banana no Brasil. A reunião foi realizada na sede da Associação dos Municípios da Area Mineira da Sudene (Amams), presidida pelo prefeito José Reis Nogueira de Barros e com a presença do ex-secretário nacional de Comércio Exterior, Welber Barral.

Na reunião ficaram definidas algumas estratégias: a Amams ficará responsável pela mobilização política, junto ao Ministério da Agricultura, para mudar a decisão tomada no dia 6 de dezembro, que permite a entrada da banana do Equador no Brasil. Outra ação será na via administrativa, onde as entidades dos produtores de banana entrarão com pedido para ser reconsiderada a medida concedida e alertando sobre a nova praga que essa banana poderá trazer. Por fim, será via judicial, para impedir que a banana do Equador entre no Brasil. O problema é que um cargueiro saiu do Equador há 15 dias e deverá chegar ao Brasil em uma semana, descendo no Porto de Santos.

O especialista Welber Barral mostrou as dificuldades de resolver este caso pela via administrativa ou judicial, pois dependerá de decisões técnicas e que o Brasil esbarra nas negociações bilateriais com o país vizinho. Ainda mais que a banana que entrará no país é de pequena monta em relação à produção nacional, mas causará impacto com o preço baixo e a consequente inviabilização da cultura no Brasil. Ele se dispôs a abraçar a causa dos bananicultores brasileiros, propondo inclusive que busque negociar uma cota da banana vinda do Equador.

O produtor Rodolfo Rebello citou que atualmente são 20 mil hectares plantados no Norte de Minas, que além dos 100 mil empregos diretos e mais 200 mil indiretos, movimenta a economia regional em R$500 milhões. Alertou ainda que na verdade a entrada da banana do Equador abrirá uma janela, pois outros países da América Central, como Costa Rica e Panamá, aproveitará a abertura para também vender a produção no Brasil. Será realizado um ato em Brasília, denominado de “bananaço”, para chamar a atenção do Governo para o caso.

O presidente da Amams, José Reis, prevê que será o caos para o Norte de Minas caso inviabilize a produção da banana e, por isso, os esforços para mobilizar os deputados e senadores. Ele lembrou que meses atrás ocorreu uma mobilização para resolver a situação do canal do projeto Gorutuba, que comprometia a produção da banana e agora veio esse risco da banana do Equador. Ivonete Pereira, gerente da Abanorte, mostrou que desde 2012 a banana prata do Norte de Minas tem certificação internacional e boa aceitação na Europa, mas agora todos os produtores estão temerosos.

 

Desde 2005 o Equador vem tentando exportar bananas ao Brasil sendo que este processo se intensificou a partir de junho de 2011 em função da crise financeira nos Estados Unidos e Europa. O Brasil por ser signatário da Organização Mundial do Comércio e país membro da Convenção Internacional de Proteção de Vegetais deve seguir as diretrizes internacionais de comércio estabelecidas entre os países. A importação de vegetais ou de partes de seus produtos, em nível comercial, passíveis de abrigar pragas, é realizada sob determinadas condições que levam em conta a Análise de Risco de Pragas-ARP.   A Abanorte vê com muita preocupação esta medida tomada pelo Governo, pois a existência do BBrMV ou o Vírus do Mosaico das Brácteas é uma ameaça real e segundo relatos, nas Filipinas chegou a comprometer 40% da produção de bananas. Desta forma, a sugestão é a realização de um novo estudo que inclua, além o Vírus do Mosaico da Brácteas – BBrMV, também a Raça 4 Tropical (T4R) do fungo Fusarium oxysporum f.sp. cubense, que, apesar de não existir no Equador, representa atualmente a maior ameaça à bananicultura mundial e já está presente na Asia, Oriente Médio e Africa, com quem o Equador estabelece estreitas relações comerciais. (GA)

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